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O guia detalha estratégias para elevar a qualidade de textos gerados por inteligência artificial, combatendo a entrega inicial frequentemente genérica e robótica dessas ferramentas. Por meio de dez “prompts antídotos”, o conteúdo aborda vícios editoriais típicos — como generalizações vagas, conclusões repetitivas e falta de contexto local —, oferecendo comandos práticos que forçam a tecnologia a adotar tons mais específicos, estruturas variadas e uma conexão real com o público. O foco reside na premissa de que a IA funciona apenas como base, exigindo direcionamento técnico e intervenção humana para produzir textos com profundidade e fluidez.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Repare que no título eu escolhi o verbo “melhorar”, e aqui ele é realmente fundamental. Existe atualmente um debate sobre até que ponto é certo ou não usar inteligência artificial para escrever.
Sem entrar nessa discussão, já que o objetivo da nossa conversa é outro, vale dizer que a resposta sobre ser ético ou não depende de uma série de fatores: quem faz, para que finalidade, em que circunstâncias.
IMPORTANTE: texto feito por IA vai ter QUASE SEMPRE cara de IA, exceto se a participação humana na finalização for bem intensa. Abaixo estão alguns defeitos típicos do conteúdo escrito por chatbots, acompanhados de prompts que podem ajudar a deixar a entrega mais redonda.
1. Texto certinho, mas sem vida
Lidar com IAs é a arte de saber mandar, digo e repito toda hora. A primeira versão de qualquer coisa que um chatbot entregar tende a ser tosca, e isso a gente busca minimizar entregando o máximo de contexto e informação já no primeiro pedido.
Prompt antídoto (é só copiar daqui, colar no chat e preencher as lacunas):
“Vou pedir que você escreva sobre [TEMA], mas antes quero organizar o contexto.
Público: [quem vai ler, com o máximo de detalhe possível]
Objetivo do texto: [informar, convencer, explicar, vender, orientar etc.]
Situação concreta que deve aparecer: [descreva uma cena ou problema real que poderia acontecer]
Tom desejado: [mais direto, mais crítico, mais informal, mais analítico etc.]
O que evitar: [clichês, frases genéricas, abertura didática, linguagem excessivamente formal]
Agora escreva o texto começando pela situação concreta descrita acima, sem iniciar com definição do tema. Use exemplos práticos ao longo do texto e deixe claro por que isso importa para o leitor.
Depois de escrever, faça uma revisão identificando trechos que soem genéricos ou previsíveis e reescreva esses trechos de forma mais específica e contextualizada.”
Isso é beeeeem diferente de “escreva um texto sobre Carnaval”, concorda?
2. Generalizações amplas demais
Quando o bot terminar seu texto, a primeira lida pode enganar. Costumo dizer que é como algodão doce: enche os olhos, mas se você apertar ele vira um bolinha minúscula. Nesse momento, use o prompt abaixo para melhorar um pouco.
Prompt antídoto:
“Revise o texto que acaba de entregar e substitua termos vagos como ‘pessoas’, ‘empresas’, ‘mercado’, ‘profissionais’, ‘sociedade’ por exemplos mais específicos. Sempre que fizer uma afirmação ampla, explique quem exatamente está envolvido, em que situação e com qual consequência. Se algum trecho continuar genérico, reescreva adicionando contexto realista.”
3; Introdução previsível
Em geral, a introdução que sair da sua própria cabeça tende a ser melhor que a da IA. Mas, se estiver correndo, com preguiça ou simplesmente não quiser, tudo bem.
Prompt antídoto:
“Reescreva a introdução deste texto sobre [TEMA] usando uma das seguintes abordagens: 1) uma pergunta direta que provoque reflexão, 2) um problema concreto que alguém enfrenta, 3) um dado relevante [forneça o dado ou mande ele buscar na internet, mas valide depois]. Não use expressões como ‘nos dias de hoje’, ‘cada vez mais’ ou ‘a tecnologia está mudando tudo’.”
4. Falta de conexão com a realidade brasileira
Em alguns momentos, os textos de IA parecem foto de banco de imagem gringo: aquelas pessoas com zero cara de que poderiam ser seu vizinho ou estar num metrô, torcer pelo São Paulo e coisa assim. Isso você melhora bem na hora do comando.
Prompt antídoto:
“Escreva sobre [TEMA] considerando a realidade do Brasil. Use exemplos que façam sentido no contexto brasileiro (trabalho, escola, serviços públicos, pequenas empresas, rotina urbana). Evite exemplos que dependam de contexto estrangeiro. Se mencionar plataformas ou situações, priorize as que as pessoas no Brasil realmente usam.”
5. Texto com cara de manual de instruções
Caso não tenha usado o prompt do item 1, esse aqui pode ser útil também. De novo: é importante fornecer para a IA infos sobre o público que você pretende impactar com o conteúdo. “Pessoas com nível universitário”, “idosos com ensino médio”, “crianças da quarta série”. Combine isso com o comando abaixo.
Prompt antídoto:
“Reescreva o texto abaixo em linguagem mais natural e direta, como se estivesse explicando para [público-alvo] em uma conversa comum. Reduza definições técnicas longas. Sempre que houver uma explicação abstrata, acrescente um exemplo prático que ajude a visualizar a situação.”
6. Frases muito parecidas e leitura monótona
Isso costuma ser mais difícil de consertar, porque os modelos não conseguem fugir muito de determinados padrões. Recomendo que você mexa com suas próprias mãozinhas no que ele entregar, mas pode começar usando o prompt a seguir e daí você avalia. Embora as IAs ajudem muito, tem casos em que vale a máxima: “quer bem feito? Faça você mesmo.”
Prompt antídoto:
“Revise o texto variando a estrutura das frases e o tamanho dos parágrafos. Evite repetir a mesma forma de construção. Misture frases mais curtas com outras mais desenvolvidas e torne a leitura mais fluida. Não use listas longas ou estruturas repetitivas.”
7. Texto sem opinião clara
Quem usa os chatbots deve ter reparado que eles são mais escorregadios que peixe ensaboado. E, sim, é muito irritante isso, especialmente quando se reflete em algum conteúdo que deveria ser um pouco mais contundente.
Prompt antídoto:
“Escreva sobre [TEMA] defendendo uma posição clara. Explique por que essa posição faz sentido, usando exemplos concretos. Inclua também uma possível crítica a essa posição e responda a ela. Obrigatório: não ficar neutro o tempo todo.”
8. Palavras bonitas ou “da moda”, mas vagas
Como ser humano, peço a você, leitor: pare de usar a palavra “assertivo”, porque a maioria das pessoas a emprega do modo errado. Juro. E, como muitos outros termos “da moda”, pode aparecer no texto da IA.
Prompt antídoto:
“Reescreva o texto trocando palavras abstratas por termos mais específicos. Sempre que aparecer uma palavra ampla como ‘inovador’, ‘transformador’ ou ‘impactante’, explique concretamente o que isso significa na prática, com exemplo. Evite palavras batidas como “assertivo”, “robusto” e outros vícios de linguagem.”
9. Conclusão óbvia ou repetitiva
Quase sempre o parágrafo final de texto da IA tem algo como “em resumo” ou equivalente, e logo depois vem… Bom, vem um resumo do que foi discutido nos parágrafos anteriores. Isso é TOSCO, empobrece a qualidade dos textos e é melhor evitar.
Prompt antídoto:
“Reescreva apenas o final do texto trazendo algo novo: pode ser um alerta específico, um erro comum relacionado ao tema ou uma ação prática que o leitor possa realizar. Não repita o que já foi dito ao longo do texto. Não use estruturas como “em resumo” ou similares.”
10. Conclusão com jeito de locutor de rádio
Mesmo quando não usa o “em resumo”, a IA tem mania de encerrar textos com um tom grandioso, tipo: “Ao adotarmos essas práticas, construiremos um futuro mais resiliente e colaborativo para todos.”
Prompt antídoto:
“Reescreva o encerramento removendo qualquer tom grandioso, lição de moral ou previsões otimistas sobre o futuro. Termine com uma observação seca, um questionamento irônico ou uma recomendação prática imediata. O fechamento deve ser breve e realista, sem ‘encher o balão’ do leitor.”



