A Albânia entrou para a história ao anunciar que sua nova ministra anticorrupção não é uma pessoa, mas sim um bot de inteligência artificial. A escolhida é Diella, termo que significa “Sol” em albanês, e que terá a missão de administrar todos os contratos públicos do país, blindando-os contra subornos, ameaças e favorecimentos.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (11) pelo primeiro-ministro Edi Rama, que se prepara para iniciar seu quarto mandato. Segundo ele, Diella é a primeira integrante do gabinete sem presença física, criada exclusivamente por IA. “Queremos que a Albânia seja um país onde as licitações públicas sejam 100% livres de corrupção”, declarou o premiê durante a apresentação do novo governo.
A medida busca melhorar a imagem do país, frequentemente associado a escândalos envolvendo lavagem de dinheiro e organizações criminosas nos Bálcãs. O combate à corrupção é considerado crucial para que a Albânia avance em sua meta de aderir à União Europeia até 2030.
Origem e funcionamento
Diella foi lançada no início de 2025 como assistente virtual da plataforma e-Albania, criada para facilitar a vida de cidadãos e empresas na obtenção de documentos oficiais. Apresentada em trajes típicos albaneses, ela atende por comandos de voz e é capaz de emitir certificados com selos digitais, agilizando processos burocráticos.
Agora, com status ministerial, a IA terá como principal função a gestão das licitações públicas, tradicionalmente alvo de denúncias de irregularidades no país.
Reações e desconfiança
Apesar do entusiasmo do governo, parte da população reagiu com ceticismo. Comentários nas redes sociais ironizaram a iniciativa: “Até a Diella será corrompida na Albânia”, escreveu um internauta. Outro afirmou: “Os roubos vão continuar, mas agora a culpa será dela.”
O Executivo ainda não detalhou se haverá supervisão humana sobre o trabalho da ministra virtual, nem como será evitada a manipulação do sistema por terceiros.



