
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
No primeiro evento da Secretaria da Mulher desde que foi criada, em setembro, a secretária Fábia Richter debateu com um público de 300 pessoas as estratégias de prevenção, uso de inteligência artificial e como a ciência pode contribuir no enfrentamento à violência de gênero no Estado. O 1º Encontro Estadual de Mulheres para o Mundo – Redes de Proteção da Mulher foi realizado nesta sexta-feira (14), no auditório do Ministério Público.
Para prevenir os casos de violência no Rio Grande do Sul, prioridade definida pela secretária, a pasta desenvolve um programa utilizando IA, que deverá unificar dados de toda a rede de proteção, gerar notificações e, por consequência, facilitar o monitoramento de casos. Um modelo semelhante utilizado na Espanha, citado como exemplo, deve ser replicado aqui, utilizando a GurIA, assistente virtual do portal do Estado, para ampliar os canais de denúncia e elaborar um mapa de violência no Estado.
Fábia também quer reforçar a articulação entre Estado, municípios e instituições parceiras para fortalecer a rede de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e de gênero.
— É preciso olhar para o feminicídio de modo articulado com as prefeituras. Nesse sentido, nossa atenção está voltada para as políticas de prevenção e para o modo como elas chegam aos municípios — destacou a secretária.
O governador Eduardo Leite participou da abertura do evento, enfatizando que é papel do governo construir políticas públicas e dar exemplos.
— Precisamos de uma rede capaz de antecipar os fatos. A violência doméstica pode ser percebida em locais como o posto de saúde ou nas escolas, por exemplo, e devemos estar atentos a isso. É preciso saber escutar as pessoas e esse é um evento de escuta — disse Leite.
Em uma das manifestações durante o evento, a professora e pesquisadora Joice Nielsson, da Universidade Regional do Noroeste do RS (Unijuí), apresentou o estudo “Sobre eles – Perfil, diagnóstico e propostas de intervenção”, que analisou o comportamento de homens autores de violência doméstica no sistema prisional gaúcho. De acordo com a docente, após mais de 50 horas de conversa com os presos, a conclusão preliminar é de que “os sujeitos não compreendem que praticam crime contra as mulheres nem se sentem responsáveis por isso”.



