Fazendo uso do ChatGPT

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A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) produziu um excelente relatório sobre usos efetivos da IA na educação

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 A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) produziu um excelente e denso relatório sobre usos efetivos da Inteligência Artificial (IA) Generativa na educação, intitulado em inglês “OECD Digital Education Outlook 2026: exploring effective uses of generative AI in education” – um tema da mais alta importância para a elaboração de políticas públicas na educação usando IA Generativa, em particular para pensar a formação docente em tempos disruptivos, além de contribuir com o processo de ensino e de aprendizagem.

A formação digital dos professores ainda é um grande desafio em nosso país. Na última avaliação das competências digitais, numa escala de 1 a 5, a larga maioria dos professores alcançou o escore 2, que significa que eles estão no chamado nível de familiarização – ou seja, trata-se daqueles docentes que utilizam pouco a tecnologia para ensino e aprendizagem, e, quando o fazem, é como apoio para tarefas administrativo-pedagógicas, planejamento ou registro de aulas. Até chegar ao nível 5 – o daquele docente líder que não só conhece as tecnologias digitais e as usa com destreza, mas compartilha e apoia a formação de seus pares nesse quesito –, temos um longo caminho pela frente. Esse relatório pode assim contribuir sobremaneira para encurtar esse caminho.

Contudo, por ser um relatório extremamente denso, eu não teria, no momento, tempo adequado para lê-lo. Então resolvi fazer uso do ChatGPT, que preparou um belíssimo resumo dos principais destaques desse relatório; em seguida, associei esse relatório a uma leitura dinâmica que fiz sobre ele, e agora compartilho essas informações com os leitores desta coluna, na perspectiva de incentivá-los a uma leitura completa.

Para começar, esse relatório analisa de forma abrangente como a IA Generativa pode transformar a educação, destacando os benefícios, riscos e condições necessários para que seu uso resulte em ganhos reais de aprendizagem, produtividade docente e eficiência dos sistemas educacionais. O relatório da OCDE mostra que a IA Generativa tem grande potencial para personalizar o aprendizado, por meio de tutores inteligentes capazes de se adaptar ao ritmo e às necessidades dos estudantes, inclusive em contextos de baixa infraestrutura. Tem também grande potencial para estimular a criatividade e a aprendizagem colaborativa, ao apoiar a produção de textos, ideias, projetos e discussões em grupos.

Entre as evidências empíricas e os resultados observados, o relatório indica que a IA Generativa pode melhorar de fato o desempenho dos estudantes em determinadas tarefas, mas isso não garante uma aprendizagem mais aprofundada. Além disso, segundo o relatório, quando a IA é usada apenas para fornecer respostas prontas, ocorre uma redução do esforço cognitivo e de algumas habilidades essenciais para o desenvolvimento pleno do estudante.

Entre os riscos e desafios apontados relativos ao uso indiscriminado da IA Generativa, vale registrar que a dependência excessiva desse mecanismo por parte dos professores leva à perda de autonomia e de profissionalismo docente, especialmente quando a IA é usada para substituir decisões pedagógicas. O relatório apresenta princípios para um uso eficaz desse mecanismo, e também algumas implicações no campo das políticas públicas. Nesse caso, a IA Generativa pode contribuir, por exemplo, para estabelecer marcos regulatórios sólidos sobre ética, privacidade e uso responsável.

Por fim, o relatório conclui que a IA Generativa pode ser transformadora para a educação, mas apenas se for usada de maneira intencional, pedagógica e responsável. O foco deve estar em ampliar as capacidades humanas, e não em substituí-las. Tenho dito, em minhas palestras, que o diferencial não está na capacidade tecnológica à qual uma pessoa possa ter acesso – que será cada vez maior –, mas sim nas suas qualidades humanas.

*Mozart Neves Ramos é titular da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira da USP de Ribeirão Preto e professor emérito da UFPE.

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