Estudo sueco aponta que a IA pode impulsionar a sustentabilidade global, desde que usada com transparência e responsabilidade para reduzir seus próprios impactos ambientais
“Em tempos de COP30, a conferência da ONU sobre mudanças do clima, que se realiza em Belém do Pará, é oportuno saber que nós temos ferramentas novas e eficientes, movidas a inteligência artificial, capazes de combater as alterações do clima e batalhar pela sustentabilidade”, ressalta o professor Glauco Arbix, referindo-se a um novo relatório internacional, publicado pela Universidade de Estocolmo e por grandes institutos suecos, que mostra como a IA pode ajudar a a combater as alterações do clima, desde que utilizada com responsabilidade. “Ao olhar a realidade, a gente percebe que os mesmos modelos que nos ajudam a prever tempestades ou conversar com assistentes virtuais, esses que a gente brinca no ChatGPT o tempo todo, eles consomem quantidades imensas de energia e de água, de eletricidade, de combustível fóssil como carvão, gás, são modelos que acabam liberando carbono na atmosfera e utilizam minerais cuja extração é predatória ao meio-ambiente. É como se a gente pudesse dizer, ‘parece que a IA, de fato, contribui para gerar problemas do clima que deveria resolver, e não aumentar esses problemas’. É preciso, porém, olhar as coisas de um modo um pouquinho mais de perto. O primeiro passo é ter consciência dos limites da tecnologia, dos limites da inteligência artificial”.
” O segundo é se pautar pela transparência, de modo a identificar os problemas e a disposição para encontrar soluções. O terceiro, acredito, é cobrar e abrir diálogo com empresas e com os governos de modo a levá-los a integrar a sustentabilidade em suas estratégias públicas e privadas. Só assim, eu acredito, ficaria claro que a IA e as mudanças do clima não correm em universos paralelos. Coisas diferentes. Mas são forças que podem convergir e definir linhas e futuro para a economia, para a ciência, para a sociedade. Juntas, podem representar uma chance excepcional para equacionar e mesmo resolver em uma geração, acredito, problemas históricos da humanidade. Pelo tamanho do desafio, é possível dizer que a convergência da IA e clima determinará quem pode ganhar ou perder em todos os setores da atividade econômica e da vida social. Porque o planeta é de todos. Para esta COP 30, que se realiza em Belém, em plena Amazônia, o governo brasileiro pretende passar das promessas à prática. Se conseguir, ainda que parcialmente, será a COP da implementação, com um foco na busca de resultados efetivos para o mundo real. O desafio é muito maior do que o jogo da política, que nega a realidade do clima, relega o planeta ao abandono e sequestra o futuro das jovens gerações. Acredito que a COP pode fazer um apelo à ação concreta, com impactos mensuráveis capazes de superar os tempos difíceis que vivemos atualmente, que corroem a cooperação entre as nações. Estamos todos aqui na torcida pela COP 30″, finaliza Arbix.
Observatório da Inovação
A coluna Observatório da Inovação, com o professor Glauco Arbix, vai ao ar quinzenalmente, terça-feira às 8h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
.





